O circuito Track&Field Run Series, apesar de sua popularidade e boa organização geral, enfrenta sérias acusações de desrespeito à Norma 7 da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) devido à falta de transparência em seus resultados. Essa prática recorrente levanta questionamentos sobre a integridade dos eventos e a aderência às regulamentações esportivas nacionais.
O Problema da Falta de Transparência no TF Run Series
O circuito Track&Field Run Series é, sem dúvida, muito bom em muitos aspectos. É um evento tradicional que percorre o Brasil, oferece camisetas de alta qualidade e, em geral, proporciona uma experiência de prova impecável, raramente recebendo reclamações. No entanto, o circuito enfrenta um problema significativo e sério: o desrespeito contínuo à Norma 7 da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), especificamente pela falta de transparência com os resultados das provas.
Para ter acesso aos resultados, os participantes são obrigados a baixar um aplicativo específico, o TF Sports. Mesmo com o aplicativo instalado, a visualização se limita apenas aos tempos das provas em que o próprio usuário participou. Torna-se impossível consultar o resultado geral, descobrir quem venceu, quantas pessoas participaram ou obter qualquer outra informação relevante se você não estava presente. Essa restrição fere diretamente o item 3.11.2 da Norma 7 da CBAt, que estabelece claramente: “Tempo real e resultados finais devem estar disponíveis para mídia, espectadores e online.”
Por Que a Transparência nos Resultados é Crucial?
A falta de transparência nos resultados das corridas, como a praticada pelo TF Run Series, não é apenas uma questão burocrática; ela abre portas para irregularidades e fraudes. No último fim de semana, durante a etapa RioMar, realizada em Fortaleza, um incidente chocante ocorreu: uma criança de apenas 6 anos participou da prova de 5 km utilizando um número de peito. Essa situação configura uma dupla infração grave.
Primeiramente, de acordo com a Norma 12 da CBAt, a idade mínima para participar da corrida de 5 km é de 14 anos. Em segundo lugar, é óbvio que o número de peito utilizado era fraudado, pois o sistema de inscrição do evento não permitiria o cadastro de uma criança de 6 anos. Alguém se inscreveu com seus dados corretos e cedeu o número, possivelmente para que a criança corresse. Se os resultados fossem públicos e acessíveis a todos, seria significativamente mais fácil identificar o responsável por essa fraude e investigar as circunstâncias.
Implicações das Infrações
Essa prática não só prejudica a integridade da competição, mas também envia uma mensagem negativa aos jovens atletas e ao público em geral. A falta de fiscalização efetiva por parte das federações estaduais, que concedem o ‘Permit Bronze’ para essas provas, é preocupante. Desrespeitar as normas estabelecidas pela CBAt deveria ser motivo suficiente para a não renovação do permit de uma prova, mas, infelizmente, o TF Run Series parece operar sob uma aparente impunidade há anos.
É fundamental que as federações atuem com mais rigor para garantir que os eventos esportivos cumpram as regras. A busca por performance e a paixão pela corrida devem caminhar lado a lado com a ética e a legalidade. Existem categorias de corrida para crianças e escolinhas de atletismo com distâncias adequadas para cada faixa etária, promovendo o esporte de forma segura e inclusiva.
Exemplos de Organização Exemplar
Em contraste com as práticas questionáveis, eventos como a ASICS Golden Run de São Paulo, que ocorreu recentemente, foram amplamente elogiados por sua organização impecável, mesmo diante de condições climáticas adversas. Essa prova demonstrou como é possível realizar um evento de sucesso com alto padrão de qualidade e respeito às normas.
A boa notícia é que a ASICS pretende expandir esse modelo de sucesso com o ASICS Run Challenge em outras seis cidades brasileiras este ano: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Salvador, Recife e Florianópolis. As distâncias oferecidas serão de 4 km, 7 km e 15 km, atendendo a um público diversificado. Para quem deseja participar, as inscrições estão abertas e, com o cupom CORRIDANOAR10, é possível obter um desconto de 10%.
Resultados da ASICS Golden Run São Paulo
A prova ASICS Golden Run de São Paulo contou com uma transmissão ao vivo de qualidade, com a participação especial de Ricardo “Nishi” nos comentários e Cezinha como repórter de pista, além de Geraldo cuidando dos dados. No masculino, o queniano Nicolas Kiptoo Kosgei conquistou a vitória com o tempo de 1:03:19. O pódio foi completado por Lucas Paulo Ferreira Barbosa (1:03:45), Jonathas de Oliveira Cruz (1:05:24), Paulo Roberto de Almeida Paula (1:06:54) e Lucas Alves Andrade (1:07:57).
No feminino, a atleta queniana Vivian Kiplagati sagrou-se campeã, quebrando o recorde da prova com o tempo de 1:13:44. Em segundo lugar, ficou a colombiana Alexandra Carolina Albán (1:14:09), seguida por Amanda Aparecida de Oliveira (1:16:42). Nubia de Oliveira Silva, que inicialmente estava na segunda posição, precisou abandonar a disputa por uma lesão e terminou em quarto lugar (1:22:27). Isadora Domingues fechou o pódio em quinto lugar.
No total, a prova registrou 7.626 concluintes, com 4.336 participantes nos 21 km e 3.290 nos 10 km, consolidando o evento como um grande sucesso.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é a Norma 7 da CBAt?
A Norma 7 da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) estabelece diretrizes importantes para a realização de eventos de atletismo, incluindo a obrigatoriedade de disponibilizar resultados completos e em tempo real para o público, mídia e online.
Por que o TF Run Series é criticado?
O circuito TF Run Series é criticado pela prática de esconder os resultados gerais das provas, exigindo o uso de um aplicativo específico que limita a visualização apenas aos tempos individuais, o que vai contra a Norma 7 da CBAt.
O que aconteceu na etapa de Fortaleza?
Na etapa de Fortaleza, uma criança de 6 anos participou da prova de 5 km com um número de peito, o que configura uma infração à idade mínima permitida (14 anos) e sugere fraude no uso do número.
Qual a importância da transparência nos resultados?
A transparência nos resultados é fundamental para garantir a lisura das competições, identificar e coibir fraudes, além de permitir que atletas, público e mídia acompanhem o desempenho de forma justa e completa.
O que as federações estaduais deveriam fazer?
As federações estaduais, que chancelam as provas, deveriam fiscalizar ativamente o cumprimento das normas da CBAt e tomar medidas como a não renovação do permit de provas que reiteradamente desrespeitam as regras, como é o caso do TF Run Series.
Conclusão
O circuito TF Run Series precisa urgentemente rever suas práticas de divulgação de resultados para se adequar à Norma 7 da CBAt. A falta de transparência não só prejudica a experiência dos corredores, mas também abre brechas para irregularidades que comprometem a integridade do esporte. Enquanto isso, eventos como a ASICS Golden Run servem como exemplos de excelência e organização, demonstrando que é possível realizar competições de alto nível, transparentes e alinhadas com as regulamentações. Espera-se que as autoridades competentes tomem as devidas providências para garantir um cenário mais justo e ético para as corridas no Brasil. A corrida é para todos, mas deve ser para todos de forma correta. Saiba mais sobre o tema!
Fonte: corridanoar.com