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Dicas de Corrida

Western States 100: A História de Brian Morrison e Sua Resiliência

Western States 100: A História de Brian Morrison e Sua Resiliência

A jornada de Brian Morrison no Western States 100 é uma saga de superação, autoconhecimento e a busca pela redenção em uma das corridas de ultramaratona mais icônicas do mundo.

O Momento Definidor no Western States 100

Em 2006, Brian Morrison estava a poucos metros da linha de chegada do Western States 100, liderando a prova, quando o impensável aconteceu: ele desabou. Naquele momento, o novato que se aproximava da glória, sendo auxiliado pelo lendário Scott Jurek, sofria de um caso perigoso de hiponatremia, resultado da super-hidratação. A concentração de sódio em seu sangue estava tão baixa que ele perdeu o controle de seu corpo.

Ele levou minutos agonizantes para completar a última volta na pista da Placer High School, com sua equipe o ajudando repetidamente a se manter de pé. O cronômetro marcou 18 horas, 5 minutos e 13 segundos. O vídeo desse momento ainda está disponível no YouTube. Horas depois, a organização do Western States 100 decidiu que Morrison não completou a prova sob seu próprio poder, sendo marcado como DNF (Did Not Finish). Graham Cooper, do Reino Unido, foi declarado o vencedor.

O Peso da Decepção e a Admiração pelo Esporte

Esse evento se tornou um divisor de águas para Morrison, que confessa nunca ter se sentido verdadeiramente vencedor naquele dia. “Eu estava tão desapontado comigo mesmo por estragar tudo tão perto da vitória”, ele relembra. “Eu sempre entendi a decisão, tipo, eu não ganhei.” Vinte anos depois, ele ainda afirma com convicção que Cooper deveria se sentir o vencedor. “Eu não atravessei aquela linha por conta própria”, diz Morrison.

Esse espírito de fair play é admirável, especialmente considerando os anos seguintes. Em 2007, 2008 e 2009, Morrison tentou novamente o Western States 100, mas não conseguiu completar a prova. Ele descreve 2008 como o ano mais difícil. Sentindo-se no auge de sua forma física e pronto para uma performance decente, a corrida foi cancelada devido a incêndios florestais. “Se 2006 foi de partir o coração, 2008 foi na verdade o pior”, admite Morrison. Ele havia investido tanto e não pôde sequer usar seu treinamento. Após o cancelamento, ele passou por longos períodos de choro ininterrupto.

A Pausa Necessária e a Redescoberta da Alegria

Em 2009, Morrison não conseguia manter a comida no estômago. O desgaste mental da obsessão e das decepções da corrida estava afetando a ele e sua família. “Eu simplesmente reconheci naquele momento que precisava fazer uma pausa desta corrida”, conta Morrison, “ou ela vai arruinar a corrida para mim.”

Morrison tirou um tempo do Western States 100 e redescobriu a alegria de correr. Ele formou uma família e começou a pensar em criar sua própria corrida de 100 milhas em Teanaway, Washington, nas Montanhas Cascade. No entanto, o espírito do Western States 100 nunca o abandonou, e ele percebeu que precisava terminar a corrida para obter um encerramento. Ele cita Gordy Ainsleigh, o criador do Western States 100: “Não deixe esta corrida te vencer, ou ela te assombrará para sempre.”

O Retorno Triunfal e a Publicação do Livro

Em 2016, dez anos após seu colapso na linha de chegada, Morrison retornou ao Western States 100 e completou a prova em 27:26:00, na 117ª posição. Após essa conquista, Ethan Newberry, conhecido como The Ginger Runner, produziu um filme inspirador sobre sua história, “A Decade On – Brian Morrison and The Western States 100”. Agora, uma década após terminar a corrida e vinte anos após sua primeira tentativa, Morrison auto-publicou um livro, “Given to Fly”, sobre sua experiência.

Lições Aprendidas e Perspectiva de Vida

É uma história notável, com um final feliz e inspirador. A ideia de Morrison de escrever um livro surgiu logo após completar a corrida de 2016, mas a vida e o trabalho acabaram por adiar o projeto. Ele era sócio-operador das lojas Fleet Feet em Seattle, trabalhando 60 horas por semana, descrevendo o trabalho como “muito gratificante, mas também totalmente consumidor”. Em setembro de 2024, ele aceitou um emprego mais flexível, que lhe deu tempo para se dedicar ao seu livro. Ele auto-publicou “Given to Fly” em abril de 2026.

“Eu acho que nos 20 anos desde a corrida”, reflete Morrison, “eu percebi o quão grato eu sou pelo fato de que tudo acabou do jeito que acabou.” Ao retornar para terminar a corrida em 2016, ele pôde correr ao redor da pista com seus filhos, que ainda não haviam nascido em sua primeira tentativa. Claro, Morrison gostaria de ter recebido um “bronze cougar” – o prêmio concedido aos vencedores da corrida – e admite que ainda pensa em quão perto ele esteve de ter seu nome gravado na Wendell Robie Cup ao lado dos campeões. No entanto, as histórias e memórias que ele tem agora são preciosas.

Ele reflete que, se tivesse vencido a corrida em 2006, “eu certamente não teria escrito um livro, ou se o tivesse feito, seria um livro totalmente diferente.” O tempo coloca tudo em perspectiva, e ele diz: “Com 20 anos de retrospectiva, me sinto muito afortunado por ter acontecido do jeito que aconteceu.”

Descoberta do Trail Running

Morrison conta que cresceu “bastante pouco atlético”, mas sempre teve a aspiração de ser mais. “Eu joguei futebol e beisebol, e um pouco de futebol americano, e era medíocre na melhor das hipóteses em todos eles”, ele diz. “Snowboard era o esporte que eu mais gostava, mas eu nunca fui bom o suficiente para fazer qualquer coisa nessa área.”

Mas em 2000, seu tio o convidou para escalar o Monte Rainier com ele. Seguindo o conselho de seu tio, ele começou a correr para treinar para a escalada. “Correr não veio naturalmente logo de cara”, admite Morrison. No entanto, enquanto a corrida sempre foi associada a punição em outros esportes – se você deixasse cair uma bola, era obrigado a correr voltas – correr sozinho com o objetivo de escalar Rainier se mostrou prazeroso. Oito meses após a ideia inicial, Morrison e seu tio escalaram o Rainier juntos. “Foi incrível, e foi difícil, mas não foi impossível”, diz Morrison.

O treinamento que ele fez abriu sua mente para outras possibilidades de resistência, e o próximo passo natural parecia ser uma maratona. Ele se inscreveu na Maratona de Seattle logo depois. “Foi uma experiência terrível, terrível”, lembra Morrison. “Eu não treinei o suficiente, e foi muito mais difícil do que escalar Rainier, e eu pensei: Bem, eu nunca mais vou fazer isso.”

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que aconteceu com Brian Morrison no Western States 100 em 2006?

Brian Morrison estava liderando o Western States 100 quando desabou perto da linha de chegada devido a hiponatremia, sendo marcado como DNF (Não Terminou).

Por que Morrison não se sentiu vencedor em 2006?

Ele reconheceu que não completou a prova sob seu próprio poder e sentiu que seu adversário, Graham Cooper, merecia a vitória por ter completado a corrida legalmente.

Quais foram as tentativas de Morrison após 2006?

Ele tentou a prova em 2007, 2008 e 2009, mas não conseguiu completá-la devido a problemas de saúde e ao cancelamento da prova em 2008.

Quando Brian Morrison finalmente completou o Western States 100?

Ele retornou em 2016, dez anos após seu primeiro incidente, e completou a corrida com sucesso.

O que Brian Morrison escreveu sobre sua experiência?

Ele auto-publicou um livro chamado “Given to Fly”, detalhando sua jornada de superação e aprendizado com o Western States 100.

Conclusão

A história de Brian Morrison no Western States 100 transcende a mera competição. É um poderoso lembrete de que o caminho para a vitória, ou para a paz interior, nem sempre é linear. Sua jornada de desapontamento para aceitação e, finalmente, para a celebração de suas experiências, oferece uma lição valiosa sobre resiliência, a importância de ouvir o próprio corpo e a redescoberta da alegria naquilo que amamos, mesmo diante de desafios. Morrison nos ensina que, às vezes, o verdadeiro triunfo não está em cruzar a linha de chegada primeiro, mas em completar a própria jornada com integridade e aprendizado.

Fonte: www.irunfar.com

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Carlos Pace

Carlos é corredor de rua há mais de 12 anos e apaixonado por performance e saúde. Escreve sobre treinos, planilhas, técnicas de corrida, prevenção de lesões e preparação para provas de 5K, 10K e maratonas.

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